“Nosso objetivo é agregar valor e aumentar a produtividade”

Fazendas apostam na agricultura de baixo carbono e provam que é possível produzir alimentos, fibras, energia e obter lucro com pouco impacto ambiental

* Do Diário da Manhã

As previsões mundiais apontam que em 2050, 9 bilhões de pessoas povoarão o planeta, e o grande desafio torna-se elevar a produção de alimentos suficientes para essa população. A agricultura deverá ser responsável por um aumento de 70% de sua produção agrícola, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), ainda nos próximos 40 anos, para evitar uma grave crise alimentar e a escalada da fome. Aumentar a produção sem deixar de preservar a natureza são os grandes fatores a serem discutidos pelos produtores. Uma mudança no comportamento e nas técnicas atuais é fundamental para a preservação da agricultura mundial.

O agronegócio brasileiro que nas últimas décadas vinha investindo em uma agricultura especializada deve encarar como uma nova oportunidade de negócio a diversificação de suas propriedades, aliando a recuperação de áreas de proteção ambiental. As questões ambientais devem se tornar aliadas dos produtores, em favor de uma produção mais eficiente e de maior qualidade.

O novo cenário da agricultura mundial pauta o aumento na demanda por alimento e pelas restrições ambientais à abertura de novas áreas agrícolas. A transição para uma economia de baixo carbono é complexa, mas os brasileiros possuem condições para aderir a essa prática e responder ao esperado pela FAO.

Novas fronteiras agrícolas serão alcançadas, objetivando técnicas de cultivo e criações produtivas e sustentáveis. E reduzir o aquecimento global e a liberação de gás carbônico na atmosfera é diretriz para a nova agricultura brasileira. Alguns produtores da região já implantaram em suas lavouras técnicas diferenciadas para tornar a atividade agropecuária mais sustentável.

O agricultor Luis Senger é um destes exemplos, em sua lavoura, através de um financiamento promovido pelo Banco do Brasil, através do Programa Agricultura Baixo Carbono (ABC) do governo federal, introduziu novas tecnologias para realizar a correção de solo de 150 hectares e para a retirada estoca de eucalipto de outros seis. “O principal atributo é incrementar a produção com a perspectiva de aumentar a produção, totalmente inserido num contexto de preservação” afirma Senger, explicando que financiou junto ao Banco aproximadamente R$100 mil.

O Programa ABC é uma política pública que ampara o setor agropecuário a fim de difundir e incentivar a adoção de práticas sustentáveis nas propriedades rurais para redução da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEEs). As práticas mais utilizadas que propiciam uma agricultura com baixa emissão de carbono são: recuperação de pastagem degradada, integração lavoura-pecuária-floresta, sistema de plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, florestas plantadas e tratamento de dejetos animais.

Lançado pelo Ministério da Agricultura em 2010, o Programa disponibiliza financiamento para os diversos setores da atividade agropecuária que buscam uma agricultura sustentável.

A redução dos gases do efeito estufa vai de encontro aos anseios de ambientalistas, pesquisadores e cidadãos preocupados com o futuro da produção agrícola do mundo para que a mesma supra a crescente demanda por alimentos aliados a preservação do meio ambiente. A adoção de práticas como plantio direto, recuperação de pastagens, tratamento de dejetos, plantio de florestas, integração lavoura-pecuária pode levar a adoção de uma agricultura menos impactante ao meio ambiente e mais sustentável com qualidade e responsabilidade.

Para obtenção de financiamento é necessário o produtor ir a uma agência bancária para obter informações, como aptidão, documentação e garantias; elaborar um projeto técnico através de um profissional habilitado, que deve constar a identificação e área do imóvel, croqui descritivo e histórico de utilização da área. Também deve ser apresentada ainda, uma análise de solo e georreferenciamento do local com GPS ou instrumento de aferição no centro da propriedade. Incluir o plano de manejo agropecuário, agro florestal ou florestal conforme o caso.

Seminário Agricultura de Baixo Carbono no RS

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, em parceria com a Embaixada Britânica, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), MAPA e Banco do Brasil quatro encontros para discutir práticas sustentáveis no setor agropecuário a partir do Programa ABC, criado para financiar projetos que promovam a atividade rural sustentável. Outro objetivo destes eventos é sanar as principais dúvidas sobre os financiamentos existentes no programa.

No Rio Grande do Sul o 4º Seminário de Capacitação sobre o Guia de Financiamento de Agricultura de Baixo Carbono aconteceu na semana passada na sede da FARSUL em Porto Alegre. O seminário – que já foi realizado em Brasília (DF), Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA) – debate a agricultura de baixo carbono.

Cerca de oitenta produtores rurais, técnicos de órgãos públicos, bancos e de federações estaduais de agricultura e pecuária participaram de um dia inteiro de orientações de troca de informações para estimular o produtor rural a usar os recursos do Programa ABC do Governo Federal. A idéia de preparar seminários regionais para discutir o assunto surgiu a partir da demanda de produtores rurais, que relatam dificuldades para a contratação dos recursos do programa, lançado pelo Governo federal em 2010.

Projeção de sucesso

O agricultor José Leindecker após receber informações sobre o Programa ABC através do Banco do Brasil, decidiu implantar novas técnicas em sua propriedade. Optou pelos investimentos em integração Lavoura-Pecuária-Floresta na região de Santa Rosa no Tocantins/TO, envolvendo 600 hectares.

“Hoje dificilmente você vai sobreviver com uma única atividade na lavoura, e a agricultura em si, é variável, em função do clima, do governo e das políticas de preço. Com esse Programa pretendo aproveitar a mesma área de agricultura com a pecuária” explica Leidecker que em novembro do ano passado financiou o projeto.

“Financiei a compra de 300 matrizes e com a produção destas, pretendo em dois anos, com a produção de estas primeiras fazer um confinamento. Com o aumento da produtividade agrega-se mais valor. Em 300 hectares pretendo integrar a lavoura com a pecuária. Pois além da agricultura você faz uma implantação de pasto imediatamente após a colheita, que te permite colocar um número considerável de animais em cima”, afirma o produtor, acrescentando que a pecuária é uma atividade não tão rentável quanto à agricultura, porém é mais segura.

Neste primeiro ano de experiência na propriedade de José Leindecker foi distribuídas sementes peletizadas de Braquiária durante o período de maturação da soja, por meio da aviação agrícola. Quando for realizada a colheita da oleaginosa, as sementes de Braquiária já estarão germinadas e após 30 a 40 dias, ela já está com uma pastagem adequada para o consumo animal.

“O principio básico é manter o solo sempre com vegetação e com pastagem. Você tira uma cultura e já começa a crescer a outra. Pois não justifica ficar com uma propriedade que vale uma fortuna para explorar apenas uma cultura. Eu vejo esse Programa ABC como alternativa de agregar valor e aumentar a rentabilidade dentro da propriedade, aproveitando a área 365 dias por ano”, completa Leindecker.

* Diário da Manhã – Passo Fundo / Autora: Mariana Raimondi

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