ARTIGO: Integração lavoura-pecuária na produção de silagem

*Por Daniel de Castro Rodrigues

A intensificação dos sistemas de produção exige do pecuarista investimentos em novas técnicas de produção, que permitam a maximização do uso do solo, mão de obra e máquinas. Os sistemas integrados de produção como Lavoura-Pastagem, Lavoura-Floresta e suas combinações vêm ganhando espaço nas propriedades e tem se mostrado promissor ao avaliarmos os ganhos em produção e produtividade animal.

O plantio consorciado entre Milho + Pastagem, é uma excelente alternativa para o pecuarista. A adoção desse sistema, quando feito de maneira correta, permite a produção de silagem de qualidade e o estabelecimento de uma pastagem altamente produtiva que permitirá ganhos extras em arrobas além de cobertura do solo para o plantio direto.

Este ano, os custos de produção de silagem ficaram entre R$ 2.000,00 a R$ 2.300,00 por hectare. Considerando a produtividade média das propriedades entre 11 e 12 ton/MS/ha (silagens colhidas com 33% de MS) ou 35 toneladas de massa verde por hectare, estaríamos trabalhando com algo em torno de R$ 190,00 a R$ 195,00 por tonelada de massa seca produzida. Nesse sentido, nada melhor que o plantio consorciado MILHO + PASTAGEM para otimização do uso da terra e fertilizantes, além da produção de arrobas extras após a ensilagem do milho.

Trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa (Kluthcouski, et al. 2006) apontaram produções de massa seca de Brachiaria superiores a 8,0 ton/ha, os pesquisadores ressaltam também a melhora nas características físicas do solo, redução de plantas invasoras, aumento do teor de matéria orgânica, maior ciclagem de nutrientes, entre outros.

Em visita a fazendas que já adotaram o sistema, não são raros os relatos de aumento na produção de leite e carne, aumentos na taxa de lotação e capacidade de suporte das pastagens e uma melhor eficiência em todo o sistema produtivo, no que tange o uso do solo, máquinas e mão de obra.

A oferta de forragem extra em um período em que a grande maioria das gramíneas já entram ou entrarão em processo de florescimento (queda na qualidade da forragem ingerida) é bastante interessante para programas de preparo dos animais para confinamento. O fornecimento estratégico de concentrado a pasto, associados à alta disponibilidade de forragem nesse período, permite que se faça a adaptação às dietas com maior uso de concentrado, evitando assim problemas de acidose e perda de peso dos animais após sua entrada em confinamento. Nesse sentido, programas de semi-confinamento e redução do período de permanência em confinamento também devem ser considerados na avaliação de viabilidade dos projetos.

Em geral, os custos da renovação ou recuperação da pastagem no sistema integrado podem, em anos normais, serem amortizados, total ou parcialmente, já no primeiro ano de cultivo. Como dito anteriormente, uma mesma área é utilizada para produção de grãos e/ou volumoso conservado e posteriormente para pastejo. Algumas propriedades que já adotaram o sistema têm conseguido ganhos de peso entre 600 a 800 g/cab/dia, com taxas de lotação que variam de 3 a 4,5 U.A/ha. Vale ressaltar que estes níveis de ganhos podem ser encontrados facilmente em muitas propriedades, porém com estas taxas de lotação (3,00 U.A/ha) somente em sistemas muito eficientes é que podem ser atingidas. Esse é um ponto chave do sistema de integração, eficiência produtiva de todos os recursos.

Ao possibilitarmos que uma mesma área produza grãos ou volumosos e ainda seja capaz de alocar animais permitindo aos mesmos altos desempenhos dentro do mesmo ano safra estamos maximizando a utilização de recursos. A possibilidade de aliarmos altos ganhos de peso a altas taxas de lotação é a expressão mais clara da eficiência em pecuária de corte. Está ai o binômio determinante do sucesso da pecuária moderna: sustentabilidade na utilização dos recursos naturais e eficiência produtiva – produzir mais gastando menos.

Com a intensificação dos sistemas de produção, e a maior competição por áreas agricultáveis, os sistemas integrados vêm somar a uma série de tecnologias que devem ser avaliadas e adaptadas a cada propriedade. Devemos nos tornar cada vez mais competitivos, utilizando de maneira racional os fatores de produção. O leque de opções para o produtor hoje é grande: silagem/pastagem, grão/pastagem, silagem de grão úmido/pastagem, soja/pastagem, soja/milheto e assim por diante. A integração exige investimentos em maquinário, mão de obra qualificada, gestão e planejamento. Recomendamos que, aqueles que queiram iniciar sistemas integrados de produção, façam um planejamento minucioso dos passos a serem tomados, se possível buscando auxilio de profissionais que tenham experiência no assunto. Aspectos como dimensionamento de maquinários, estabelecimento de um cronograma de atividade a serem executadas, escolha certa de variedades agrícolas, conhecimentos básicos de condução de lavouras e outros são preponderantes para o sucesso da atividade. Lembrando sempre que de nada adianta uma grande diversificação dos sistemas produtivos se você não entende bem de nenhum deles.

*Por Daniel de Castro Rodrigues, Eng. Agrônomo, Supervisor de Projetos e produtor rural em Uruana – GO.

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