Sistema projeta triplicar oferta de alimento na área atual

*Do DCI


Com potencial avaliado como capaz de triplicar a produção de alimentos sem necessidade da expansão da área produtiva, o Projeto Nacional de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF), que reúne técnicas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), avança no País, principalmente na Região Centro-oeste.

Entre dois e três milhões de hectares são ocupados pela integração. As metas de expansão são duas: chegar a quatro milhões de hectares em 2020 e a quinze milhões de hectares no período de vinte anos. Uma série de iniciativas públicas e privadas, desencadeadas na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em 2010, caminha para isso.

Naquele ano, um grupo de representantes liderados pela atual presidente, Dilma Rousseff, comprometeu-se, durante a cúpula internacional em Copenhague, a expandir o alcance do iLPF, pondo o País como um dos únicos a focar o corte de carbono (CO2) no setor agropecuário.

Desde então, diferentes ministérios da República, corporações multinacionais, órgãos e grupos de representações de classe e – por último, e talvez o mais importante – cooperativas agrícolas engajaram-se na disseminação efetiva do conceito, eleito como um dos estandartes da próxima conferência mundial sobre a tal da sustentabilidade: a Rio+20, agendada para junho na cidade do Rio de Janeiro.

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrado, Luiz Carlos Balbino, relembra que 80% da área de pastagem no Brasil (cujo total está entre 172 e 200 milhões de hectares) apresentam-se em estado de degradação. Mas vê a integração das lavouras à pecuária como forma de recuperação do solo, como uma resposta à degradação dos séculos. E uma resposta já irreversível. “Está havendo uma estruturação do sistema de iLPF nos estados. Há uma convergência, um caminho sem volta”, afirma o especialista.

Os vetores dessa estruturação são diversos: entre outros, uma rede de 200 Unidades de Referência Tecnológica (URTs), da Embrapa; as empresas de assistência técnica e extensão rural (as “Ematers”) de vários estados, dos quais se destaca Minas Gerais; e a maior empresa cooperativista do Paraná, a Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar), que se juntou à fabricante de defensivos agrícolas Syngenta e à de máquinas John Deere, no mês de aniversário da Embrapa (abril), para formar um grupo de fomento à iLPF.

Há também, em tramitação no Congresso Nacional, um projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta, segundo Balbino. O documento deve ser votado neste ano, e já passou pelo crivo de três comissões de parlamentares.

“Dificilmente o sistema será cem por cento implantado. Mas esperamos que o seja em quinze milhões de hectares nos próximos vinte anos”, diz o especialista, que considera a meta “ambiciosa”, mas pondera: “Com todas as iniciativas a favor, quem sabe até se ultrapasse essa meta. O Brasil tem tudo para fazer uma revolução verde”, afirma.

Para o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Carvalho, o Caio, o modelo de integração se “encaixa como uma luva” na base de trabalho da entidade para a participação na Rio+20. “São as chances do Brasil de ser protagonista nas seguranças alimentar e energética”, declara.

A Abag se alinha ao desenvolvimento do iLPF: “Entendemos que, quando se trata de uma tecnologia inovadora, são as cooperativas bem estruturadas que podem orientar os agricultores”, diz Caio. Segundo ele, a Confederação da Agricultura  e Pecuária do Brasil (CNA) e o departamento de Agronegócios da Federação Industrial do Estado de São Paulo (Fiesp) também estão atuantes na estruturação do modelo. “Queremos atuar ao lado de todas as entidades”, afirma.

Pecuarista adepto
O produtor Cristiano Weirich integrou, em 2006, as culturas da soja e do milho à sua pastagem, em mil hectares do Município de Canarana, na região leste do Mato Grosso.

Como resultado, a produtividade dos bois triplicou, de uma Unidade Animal (UA) por hectare para três UAs. “Achei um grande resultado”, disse ele. “O sistema antigo está quebrando. O pessoal está plantando soja porque chegamos a um ponto em que a terra morreu”, reconheceu. “[O iLPF] é o futuro. Tudo melhora: o solo, a produtividade”, previu.

Autor: Bruno Cirillo. Fonte: Diário do Comércio e Indústria – DCI

Deixe seu comentário sobre este assunto:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s