“O Rio Grande discute: de onde virão os terneiros?”

A Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul – FARSUL  o SENAR/RS promovem, hoje, 30 de outubro, a 41ª etapa do Fórum Permanente do Agronegócio, com o tema “O Rio Grande discute: de onde virão os terneiros?”

Neste evento, técnicos vão discutir o que viram em Dia de Campo, realizado ontem, em 4 municípios da região: no Rancho Santa Zelina, de Jorge Alberto Abreu de Oliveira e filhos, em Julio de Castilhos; Estância Santa Alice, de Armando Ribas e Filhos, de Santa Maria; Fazenda Cinamomo-Agropecuária Severo, da família Xavier, e Parceria Schroeder, ambas de São Sepé.

O chefe da Divisão Técnica do SENAR-RS, João Augusto Telles, disse que a tecnologia apresentada nos dias de campo confirma que a integração lavoura e pecuária, com manejo adequado, como foi visto nas propriedades visitadas, é saída para que os produtores rurais aumentem os índices de produtividade de seus rebanhos. Ele destacou ainda, como o ponto forte do dia, a grande presença nos dias de campo. “Nem mesmo a chuva espantou os interessados em conferir o sistema de produção. Foram mais de 50 produtores, em cada propriedade, o que demonstra a importância do assunto”.

O Seminário “O Rio Grande discute: de onde virão os terneiros?” será transmitido das 14h às 16h30, pelo Canal Rural.

Confira a programação:

 

Belo exemplo de integração entre Lavoura e Pecuária

Alysson Paolinelli, ex-ministro da Agricultura e produtor rural/ Foto: Igo Estrela

Sindicato Rural de Luís Eduardo presta homenagem ao ex-ministro da agricultura, Alysson Paolinelli. Amanhã, às 19h, será inaugurado um busto na sede do sindicato rural. Na programação, palestra e coquetel.

O ex-ministro da agricultura e produtor rural, Alysson Paolinelli, é um dos beneficiados pelo Programa de Agricultura de Baixo Carbono – ABC. Sua fazenda, em Baldim, Minas Gerais é um exemplo de como fazer a integração entre lavoura e pecuária de forma sustentável. As técnicas utilizadas na fazenda de Paolinelli estão no Guia de Financiamento de Agricultura de Baixo Carbono.

Além de sua atuação pelo meio ambiente, o ex-ministro da agricultura é responsável pela técnica que permitiu o plantio no Cerrado brasileiro, e que fez da região uma das mais promissoras fronteiras agrícolas do país, ainda na década de 70.

Em 2006, recebeu o World Food Prize (Prêmio Mundial da Alimentação e da Agricultura), como uma das personalidades que contribuíram para o aumento da oferta mundial de alimentos. Atualmente Alysson Paolinelli é diretor nacional da Abramilho ( Associação Brasileira de Produtores de Milho).

Disseminando as técnicas do setor

Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, é a próxima cidade a ser realizado o Seminário de Agricultura de Precisão. Serão 10 seminários até o final deste ano promovidos pelo SENAR Central, com apoio de suas Administrações Regionais, Federações de Agricultura dos Estados e Sindicatos Rurais dos municípios.

As inscrições são gratuitas e estão abertas:
http://www.canaldoprodutor.com.br/agricultura-precisao

Minas Leite ajuda a reduzir custos nas propriedades rurais

O programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite em Minas Gerais (Minas Leite), criado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), assiste atualmente a 1.107 fazendas no Estado e até o fim do ano deverá alcançar mais 43 propriedades. Nessas fazendas são introduzidas práticas gerenciais, técnicas e administrativas com o objetivo de aumentar a produtividade e qualidade do leite diante dos crescentes custos principalmente com a alimentação dos animais.

De acordo com o coordenador do Minas Leite pela Seapa, Rodrigo Puccini Venturin, os dados dos últimos meses têm mostrado a importância de ações simples de manejo e reformulação da dieta do rebanho leiteiro, que representa o item de maior peso no custo do leite.

Lavoura e pecuária

Nas propriedades assistidas pelo Minas Leite, os técnicos da Emater também recomendam o desenvolvimento do sistema de integração lavoura e pecuária, que pode ser conjugado com o plantio de florestas, contribuindo para a diversificação da produção e, como consequência, para o aumento da renda.

Venturin diz que é necessário considerar também itens de gestão como o manejo da água dos animais. Por isso, os extensionistas orientam os produtores na adoção de medidas para a melhoria da disponibilidade e do fornecimento de água. “É indispensável ter água de qualidade, sempre limpa e de boa quantidade, o mais próximo possível das salas de ordenha e dos cochos de alimentação e dos piquetes”, destaca Venturin.

Para garantir a eficiência das ações destinadas à melhoria da produção de leite e da gestão dos negócios das propriedades, os técnicos da Emater-MG recebem primeiramente um treinamento na Fazenda da Epamig, em Felixlândia, na Região Central do Estado. Atualmente há 240 extensionistas envolvidos no trabalho nas propriedades e mais 180 se preparam para atender ao programa lançado há seis anos e agora presente em todo o Estado.

A coordenação do programa está buscando a maior participação dos sindicatos rurais, cooperativas e prefeituras. Venturin diz que a ajuda dessas instituições, mediante convênio, garante o reforço da assistência técnica às propriedades.  Para participar do Minas Leite o produtor deve procurar um dos escritórios da Emater-MG.

Fonte: Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Minas Gerais

Recuperação de passivos ambientais

Em entrevista para o CNA BRASIL RURAL, o programa de rádio do Sistema CNA/SENAR, o assessor técnico da CNA, Nelson Ananias, informou que os produtores rurais podem utilizar o financiamento do Programa ABC para recuperação de passivos ambientais. “O plano ABC foi concebido para incentivar as atividades de baixa emissão de carbono, como o plantio direto, integração lavoura-pecuária, entre outros. Ao evoluir, incorporou as linhas de crédito PRODUSA e PROPFLORA permitindo a adequação das propriedades rurais frente à nova legislação ambiental, inclusive  recuperação da RL e APPs”, disse.

Ouça o programa completo:

Utilização de cereais na Integração Lavoura Pecuária

Em Boa Vista das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, em apenas dez dos 111,8 hectares que possui, o produtor rural Ivonei Librelotto conseguiu mostrar ótimos resultados obtidos com a tecnologia de Integração Lavoura Pecuária (ILP) com a utilização de cereais de duplo propósito.

O Dia de Campo foi realizado na propriedade no dia 07 de agosto, no qual compareceram mais de 800 pessoas. Além de sete estações que mostravam tecnologias e recomendações, foi possível visualizar ensaios com gado de leite e gado de corte em pastagens de inverno, como aveia, azevém, trigo, triticale, dentre outros. Este é 4º ano em que o produtor abre as portas de sua propriedade para um Dia de Campo.

Flexibilidade frente ao mercado

O produtor Ivonei Librelotto, anfitrião do evento, mostrou seus resultados no manejo do pasto ao invés de falar sobre o assunto. No campo foi apresentado um ensaio de ganho de peso com a utilização do trigo BRS Tarumã, onde os novilhos de corte ganharam 1,47 kg por dia. A expectativa ainda é colher 40 sacos de grãos após dois pastejos. Num cálculo simples, considerando o preço do boi vivo a R$ 3,50, o produtor já registra um ganho com a engorda dos novilhos equivalente a 80 sacos de trigo. “É uma colheita antecipada que garante a rentabilidade do produtor através do ganho na carne, não dependendo das oscilações do clima e do mercado até a colheita dos grãos”, esclarece o analista da Embrapa Trigo, Giovani Faé. A flexibilidade de ganhos proporcionada pelos cereais de inverno de duplo propósito frente ao mercado também foi vista como uma das maiores vantagens pelo pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Sérgio Juchem. “Se o grão não estiver tão valorizado naquele momento, por exemplo, o produtor pode optar por capitalizar todo o investimento em ganho de peso”, acrescenta.

Além da aveia preta, o uso do trigo BRS Tarumã como cereal de duplo propósito foi apresentado pela Embrapa Trigo como uma alternativa na integração lavoura-pecuária, servindo tanto ao pastejo, como na substituição do milho para a alimentação animal e produção de farinha. A aveia branca foi apresentada na estação parceira da Agrobom como opção de investimento de maior custo em relação a outros cereais, mas de retorno garantido na rápida formação da pastagem, e valor nutricional superior. Para os profissionais da Embrapa Trigo, Evandro Lampert, Giovani Faé e Henrique Pereira dos Santos, o diferencial no planejamento forrageiro não está na escolha do material, mas no manejo das pastagens. “Para garantir um pasto de qualidade é preciso avaliar a altura das plantas, que deve estar com folhas novas e abundantes”, avalia Faé.

Teste do canivete – O momento de retirar o gado do piquete também vai interferir no planejamento, enquanto que um pasto rapado não vai rebrotar a tempo de permitir um segundo ou terceiro pastejo. “Após o pastejo, é importante que o produtor deixe um resíduo, uma sobra de forragem que permita uma rebrota mais vigorosa e assim o retorno mais rápido dos animais à pastagem”, explica Juchem, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul. Um bom teste ensinado pelos técnicos da Embrapa Trigo para saber se a pastagem ainda renderá mais pastejos é usar um canivete para cortar a planta rente ao solo. “Ao ser feito um corte longitudinal no perfilho da planta, pode-se observar a altura do ponto de crescimento. Abaixo do ponto de crescimento a haste está oca. Quando isso acontece o perfilho entrou em estágio reprodutivo e não vai emitir novas folhas”, explica Lampert.

34 litros de leite por vaca/dia

De acordo com os pesquisadores João Carlos Oliveira e Sérgio Juchem, da Embrapa Pecuária Sul, entre 40 e 60% do custo do leite está na alimentação das vacas. A unidade energética (energia metabolizável) obtida com o uso de feno ou silagem custa o dobro da obtida com pastagens, enquanto que o uso de concentrado eleva o custo da unidade energética em quatro vezes. “A produção de forragem por pasto é a maneira mais econômica de se produzir leite. Por isso, é importante que a pastagem seja bem manejada e que o produtor saiba explorar o potencial produtivo de cada forragem para fazer a melhor escolha”, afirma Juchem.

Ciente disso está o produtor Ari Busanello, vizinho de cerca do anfitrião Ivonei Librelotto, que é modelo na adoção de tecnologias para aumentar a produção de leite, atividade com que trabalha e mantém a família há mais de 30 anos. Busanello, durante o Dia de Campo, apresentou seu rebanho de 28 vacas holandesas em lactação, que tem alcançado a incrível média de 34 litros/vaca/dia. No Brasil, a média de produção de leite é de 7 litros/vaca/dia, mas pesquisas avaliam que, com o uso de cereais e bom manejo das pastagens, o potencial de produção pode atingir até 20 litros/dia. Na propriedade de Ari Busanello a média ultrapassou 60% acima do que a pesquisa verificou. O segredo, segundo ele, é o balanço nutricional da dieta (com 18% de proteína), aliado ao melhoramento genético constante do rebanho e o conforto dos animais. Ao final dos dois pastejos no trigo BRS Tarumã, Ari Busanello ainda espera colher mais de 60 sacos de grãos, a exemplo do resultado alcançado em 2010.

Conforto e bem-estar animal

Além dos cuidados com a alimentação, o produtor precisa ficar atento aos fatores que interferem no bem-estar dos animais e no consumo de alimentos e água, como a umidade relativa, instalações, manejo e intempéries. Os agrônomos da Emater/RS–Ascar Vilson Nadin e Ana Clara Viana explicam que a temperatura ideal para o gado leiteiro, a chamada zona de conforto, é entre 0,5ºC e 25ºC, acima disso os animais começam a sofrer estresse calórico, podendo reduzir de 10% a 25% o consumo de alimentos, o que afeta diretamente na produção leiteira”, explicou o agrônomo Vilson Nadin.

Outra observação dos agrônomos foi com relação à temperatura do rúmen (parte do sistema digestivo do gado) em relação à temperatura da água ingerida. Eles ressaltaram que o rúmen está a uma temperatura entre 38ºC e 42ºC e o recomendado é que o animal consuma água a uma temperatura de 25ºC a 30ºC, visando não atrapalhar o processo de ruminação. “O gado leiteiro gosta de sombra e água morna”, brincou Nadin. Entre os outros fatores, foram destaques também a presença de sombra, por meio da formação de bosques e implantação do sistema agrosilvopastoril; a disponibilidade de água em quantidade e qualidade; ambientes ventilados, em especial na sala de ordenha, e manejo de pastagens, com a possibilidade de oferecer aos animais pastejos noturnos.

Nitrogênio

Enquanto para muitos produtores que participaram do Dia de Campo, a importância do nitrogênio já era conhecida, para a estudante da Escola Agrícola de Palmeira das Missões, Carine Meler, de 18 anos, ver isso na prática foi novidade. “O Dia de Campo foi um complemento para o que foi visto e estudado em sala de aula, pois abordou exatamente o que aprendemos na teoria, que é uma base técnica importante. O que mais me chamou a atenção foi o consorciamento entre gramíneas e leguminosas, visando à fixação de nitrogênio no solo”, frisou.

O dia de campo contou com a colaboração de parceiros, como a Embrapa Trigo, Embrapa Pecuária Sul, Emater-RS/Ascar, Sementes Cometa, SISNOR, Cooperjab, Agrobom e Governo do estado do Rio Grande do Sul.

Fonte: Embrapa Pecuária Sul – Bagé/RS

ARTIGO: O trigo na integração lavoura-pecuária

* Por Renato Serena Fontaneli

Produção de carne, leite e grãos de inverno, predominantemente trigo, são as atividades principais na região sul-brasileira, sul da região dos Pampas na Argentina e grandes planícies dos Estados Unidos da América. Nessas regiões, durante o período frio, a disponibilidade de forragem das pastagens nativas e perenes cultivadas de verãos é reduzida. Assim, os cereais de inverno para pastejo podem prover forragem de boa qualidade durante um período de dois a quatro meses.

O trigo é uma das alternativas, pois além da tradicional produção de grãos, pode ser cultivado para forragem ou como duplo propósito (forragem e grãos). Pastagens de trigo são de elevado valor nutritivo durante o outono e o inverno, sendo comparáveis à alfafa em termos de proteína bruta e digestibilidade. Trigos para duplo propósito devem ser semeados antes da época tradicional, propiciando cobertura de solo, fornecendo forragem para produção de carne e leite, e grãos para alimentação animal ou humana. É uma estratégia de diversificação de receita, permitindo aumento da sustentabilidade e maior flexibilidade aos sistemas de produção regional. Essa prática garante colheita antecipada via carne, leite ou lã, ou na manutenção do estado corporal dos animais durante os meses de maior carência forrageira no Sul do Brasil. Além disso, minimiza os riscos inerentes às oscilações climáticas e de mercado, comuns durante o ciclo da cultura, permitindo priorizar a atividade mais rentável conforme as projeções do ano.

Estabelecimento – época de semeadura e densidade – Os cereais de duplo propósito são semeados antes do período recomendado para produção voltada apenas para grãos. Assim, recomenda-se, para o caso do trigo, a semeadura de 40 dias antes da época recomendada para as cultivares BRS Tarumã e BRS Guatambu (variedades tardias) e de 20 dias para as cultivares BRS Figueira e BRS Umbu (variedades semi-tardias). No caso de Passo Fundo, RS, o início da época de semeadura é 1º de junho, portanto as cultivares tardias podem ser semeadas a partir de 20 de abril e as cultivares semi-tardias a partir de 10 de maio. Semeando-se no início da época recomendada para duplo propósito é possível propiciar um período de pastejo, aproximado, de 30 a 60 dias, para as cultivares semi-tardias e tardias, respectivamente, sem afetar sobremaneira a produtividade de grãos.

Quanto a densidade, recomenda-se em torno de 350 sementes aptas por metro quadrado, que representa de 100 a 140 kg de sementes/ha, dependendo do valor cultural (germinação e pureza) e peso de mil sementes.

Adubação – Recomenda-se seguir a indicação da rede oficial de laboratório de solos do estados do RS e SC. Especial atenção se faz necessária na adubação nitrogenada, um dos componentes, juntamente com genética e cortes ou pastejos, responsáveis pela recuperação rápida das plantas após a desfolha pelos animais. É importante lembrar que para cada 100 kg de ganho de peso vivo ou 1.000 kg de leite produzidos, os animais consomem aproximadamente 1.000 kg de forragem seca (MS), com concentração de proteína bruta (PB) superior a 18%, ou seja mais de 30 kg de N, cerca de 60 kg de uréia. Apesar de boa parte dos nutrientes ingeridos pelos animais através da forragem retornam via dejeções (fezes e urina) há uma grande concentração, nas zonas de congregação dos animais, próximos a aguadas, sombra e cochos de minerais.

Manejo para pastoreio – O trigo de duplo propósito deve ser pastejado por bovinos de corte ou de leite quando as plantas estiverem com aproximadamente 30cm de estatura, o que normalmente ocorre entre 40 e 60 dias após a semeadura. Ao pastejar, devem ser preservadas as estruturas para o rebrote, limitando o pastejo até 5 a 7cm de estatura durante o período vegetativo. O ideal é usar o sistema de pastoreio rotativo que propicia maior controle diminuindo o risco de erros no manejo. Não esquecer de aplicar o fertilizante nitrogenado após a saída dos animais. O pastejo deve ser finalizado quando for observada a formação do primeiro nó.

O pastoreio deve ser evitado quando o solo estiver com excesso de umidade.

Manejo para ensilagem – Os cereais de inverno, incluindo o trigo, podem ser manejados exclusivamente para produção de grãos ou para compor pastagens, ou ainda como duplo propósito (pastagem e grãos). Podem ser conservados na forma de feno ou de silagem. Para fenação, recomenda-se o corte no início da emissão das inflorescências, onde compatibiliza-se boa produção de biomassa e bom valor nutritivo. Para obtenção de silagem de planta inteira, recomenda-se colher no estádio de grãos em massa mole, quando além de propiciar boa colheita de biomassa, consegue-se uma boa preservação dos nutrientes via fermentação desejável.

Potencial de produção animal – O manejo conforme preconizado: compatibiliza idade da planta (40 a 60 dias após a emergência no primeiro pastejo rotativo e de 28 a 35 dias nos demais), estatura de planta (entrada dos animais quando as plantas estã0 com 25 a 40 cm de altura e saída dos animais, altura de resteva de 7 a 10 cm) e oferta de forragem de 700 a 1.000 gramas de pasto fresco por metro quadrado, cortado 5 cm acima da superfície do solo. Nessas condições, aproxima-se de 1.500 kg de forragem seca por hectare ( 1,0 kg de pasto fresco por m2 x 10.000 m2 = 1,0 hectare, com teor de matéria seca de 12 a 15%, corresponde a 1.200 a 1.500 kg matéria seca por hectare). Com essa oferta de forragem, que somente consegue-se com densidade de 350 ou mais plantas/m2, os animais pastejam com a “boca cheia”, ou seja, têm alta eficiência de pastejo, colhendo em torno de 70% da forragem ofertada, acima da altura de resteva.

Nessas condições, novilhos de 300 a 400 kg de peso vivo, têm obtido em torno de 1,0 kg de ganho diário (0,65 a 1,60 kg) e produção de leite com vacas leiteiras da raça Holandês de bom mérito genético de 15 a 20 kg de leite.

Em termos de ganho por área, têm sido registrados ganhos de 100 a mais de 400 kg/ha e de 2.000 a 6.000 kg de leite/ha, dependendo do sistema de utilização, pressão de pastejo e finalidade da área no verão, pois quando no sistema de duplo propósito, retira-se os animais no início do elongamento, que nas condições da região do Planalto Gaúcho, ocorre, geralmente, no final de julho e início de agosto.

*Pesquisador da Embrapa Trigo (Passo Fundo-RS) – renatof@cnpt.embrapa.br

Sistema projeta triplicar oferta de alimento na área atual

*Do DCI


Com potencial avaliado como capaz de triplicar a produção de alimentos sem necessidade da expansão da área produtiva, o Projeto Nacional de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF), que reúne técnicas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), avança no País, principalmente na Região Centro-oeste.

Entre dois e três milhões de hectares são ocupados pela integração. As metas de expansão são duas: chegar a quatro milhões de hectares em 2020 e a quinze milhões de hectares no período de vinte anos. Uma série de iniciativas públicas e privadas, desencadeadas na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em 2010, caminha para isso.

Naquele ano, um grupo de representantes liderados pela atual presidente, Dilma Rousseff, comprometeu-se, durante a cúpula internacional em Copenhague, a expandir o alcance do iLPF, pondo o País como um dos únicos a focar o corte de carbono (CO2) no setor agropecuário.

Desde então, diferentes ministérios da República, corporações multinacionais, órgãos e grupos de representações de classe e – por último, e talvez o mais importante – cooperativas agrícolas engajaram-se na disseminação efetiva do conceito, eleito como um dos estandartes da próxima conferência mundial sobre a tal da sustentabilidade: a Rio+20, agendada para junho na cidade do Rio de Janeiro.

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrado, Luiz Carlos Balbino, relembra que 80% da área de pastagem no Brasil (cujo total está entre 172 e 200 milhões de hectares) apresentam-se em estado de degradação. Mas vê a integração das lavouras à pecuária como forma de recuperação do solo, como uma resposta à degradação dos séculos. E uma resposta já irreversível. “Está havendo uma estruturação do sistema de iLPF nos estados. Há uma convergência, um caminho sem volta”, afirma o especialista.

Os vetores dessa estruturação são diversos: entre outros, uma rede de 200 Unidades de Referência Tecnológica (URTs), da Embrapa; as empresas de assistência técnica e extensão rural (as “Ematers”) de vários estados, dos quais se destaca Minas Gerais; e a maior empresa cooperativista do Paraná, a Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar), que se juntou à fabricante de defensivos agrícolas Syngenta e à de máquinas John Deere, no mês de aniversário da Embrapa (abril), para formar um grupo de fomento à iLPF.

Há também, em tramitação no Congresso Nacional, um projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta, segundo Balbino. O documento deve ser votado neste ano, e já passou pelo crivo de três comissões de parlamentares.

“Dificilmente o sistema será cem por cento implantado. Mas esperamos que o seja em quinze milhões de hectares nos próximos vinte anos”, diz o especialista, que considera a meta “ambiciosa”, mas pondera: “Com todas as iniciativas a favor, quem sabe até se ultrapasse essa meta. O Brasil tem tudo para fazer uma revolução verde”, afirma.

Para o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Carvalho, o Caio, o modelo de integração se “encaixa como uma luva” na base de trabalho da entidade para a participação na Rio+20. “São as chances do Brasil de ser protagonista nas seguranças alimentar e energética”, declara.

A Abag se alinha ao desenvolvimento do iLPF: “Entendemos que, quando se trata de uma tecnologia inovadora, são as cooperativas bem estruturadas que podem orientar os agricultores”, diz Caio. Segundo ele, a Confederação da Agricultura  e Pecuária do Brasil (CNA) e o departamento de Agronegócios da Federação Industrial do Estado de São Paulo (Fiesp) também estão atuantes na estruturação do modelo. “Queremos atuar ao lado de todas as entidades”, afirma.

Pecuarista adepto
O produtor Cristiano Weirich integrou, em 2006, as culturas da soja e do milho à sua pastagem, em mil hectares do Município de Canarana, na região leste do Mato Grosso.

Como resultado, a produtividade dos bois triplicou, de uma Unidade Animal (UA) por hectare para três UAs. “Achei um grande resultado”, disse ele. “O sistema antigo está quebrando. O pessoal está plantando soja porque chegamos a um ponto em que a terra morreu”, reconheceu. “[O iLPF] é o futuro. Tudo melhora: o solo, a produtividade”, previu.

Autor: Bruno Cirillo. Fonte: Diário do Comércio e Indústria – DCI

ENTREVISTA: Marize Porto, uma aula de integração Lavoura-Pecuária-Floresta

*Por Pablo Ulisses (texto) e Igo Estrela (foto)

 Em 2005, a professora universitária Marize Porto teve a iniciativa de implantar em sua propriedade um projeto de produção sustentável. A idéia era recuperar a grande parcela de áreas degradadas que existia na época. Procurou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que enviou pesquisadores à sua fazenda e eles recomendaram a implantação do sistema de integração Lavoura-Pecuária (iLP). A área ganhou vários pés de eucalipto e a técnica passou a ser chamada de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF).

Seis anos depois, ela revela com orgulho os resultados alcançados. Ela conta como fez a recuperação de quase 100% da área que era degradada, além da recomposição de árvores e vegetação nativa. Os frutos colhidos fizeram com que a fazenda Santa Brígida, no município de Ipameri, a 280 quilômetros de Brasília, se tornasse exemplo em sustentabilidade na atividade rural. Para aprimorar ainda mais os resultados, ela é uma das produtoras que buscou o financiamento do programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado pelo governo federal em 2010 para investir ainda mais na adoção de práticas sustentáveis.

Além da iLP, iLPF e recuperação de pastagens degradadas, os recursos do programa ABC também podem beneficiar outras técnicas, como o Sistema Plantio Direto (SPD), a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e o tratamento de dejetos naturais, entre outros. Para mostrar as técnicas implantadas em sua propriedade e apresentar o programa ABC, ela promoveu no último dia 10 de março, juntamente com a Embrapa, a sexta edição do Dia de Campo. O evento reuniu produtores rurais, técnicos, engenheiros agrônomos e estudantes universitários para difundir e estimular a adoção destas e outras práticas voltadas para a  redução da emissão de carbono e outros Gases de Efeito Estufa (GEEs).

Na corrida agenda que teve durante o evento, ela encontrou tempo e gentilmente concedeu uma rápida entrevista para este blog.

BLOG: O que levou a senhora a aderir a este sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)?

Marize Porto: Tudo começou em função da quantidade de solos degradados que tinha na fazenda. Procurei a Embrapa para saber como podíamos fazer essa recuperação de forma mais rentável, mais inteligente e mais sustentável. E a proposta da Embrapa foi de instalar o sistema de iLP (integração Lavoura-Pecuária) inicialmente. Três anos depois, demos início à instalação da floresta. Então nós temos florestas aqui de três anos, de dois anos e de um ano. Cada ano nós plantamos para aumentar gradativamente a floresta pela propriedade.

BLOG: Quais os resultados já alcançados com esse sistema?

 Marize Porto: Os resultados foram muito bons. Primeiro, a recuperação das pastagens. A fazenda hoje está totalmente recuperada dentro desse sistema. E é um sistema muito interessante porque é economicamente viável. Se não render, ninguém vai entrar. Tem que dar lucro, ou seja, te devolver dinheiro para entrar no processo. Segundo, socialmente e ambientalmente é um projeto viável. Você só não destrói o meio ambiente como você recupera o meio ambiente. Não recupera só o pasto degradado, mas também recompõe as árvores, as florestas, consegue colocar uma quantidade muito maior de animais em um espaço menor. Além disso, você coloca o boi no pasto recuperado, com sombra, conforto, e aí você põe mais animais em uma área menor. Então você ganha duas vezes.

 BLOG: O que você diria para quem pensa em adotar esse tipo de prática sustentável na propriedade?

Marize Porto: A primeira coisa que tem que acontecer é uma quebra de paradigma. As pessoas estão acostumadas ou a tocar lavoura, ou a tocar pecuária, ou a fazer floresta. Então, quem é da agricultura tem que começar a aceitar que o boi vai passar naquela área, vai fazer o pisoteio, porque eles acham que vai estragar a área. Tem que começar a entender como o animal funciona, do que ele precisa, como ele se desloca, como maneja pasto, essa coisa toda. Quem é da pecuária já tem uma dificuldade grande de comprar máquinas, de manejá-las para a agricultura, pulverizações. Então a primeira coisa é quebrar esses paradigmas, aceitar o novo. O negócio é não ter medo e se jogar porque há uma tecnologia testada, eficiente, não tem problemas com a tecnologia. O que se precisa é de uma equipe de trabalho qualificada e adaptada a essa nova realidade.

*Pablo Ulisses e Igo Estrela, enviados especiais a Ipameri

Contrato ABC no seminário

 

Foi assinado há pouco, no seminário de capacitação em Agricultura de Baixo Carbono (ABC), um contrato de financiamento no valor de R$ 600 mil para a recuperação de pastagens degradadas e integração lavoura-pecuária, dentro do Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), do Governo federal. Os recursos serão aplicados na Fazenda do Paraíso, que fica no município de Piratini (RS).

O contrato foi assinado pelo produtor rural Cláudio Antônio Kellermann, proprietário da fazenda, e por Renir Renato Resenhem, do Banco do Brasil. O representante do Banco do Brasil contou, antes da assinatura do contrato, que o pedido de liberação do crédito foi feito em 19 de janeiro. “A liberação deste recurso mostra que o programa está andando”, afirmou.